Cientistas descobrem bactéria que come poluição e expira electricidade

Estes impressionantes microorganismos encontrados no Geyser Heart Lake, em Yellowstone, podem converter a poluição enquanto geram energia no processo.

No parque nacional de Yellowstone, encontra-se o Geyser Heart Lake. Esta área é o lar de vários pequenos lagos de água quente, variando entre cerca de 43 a quase 93 graus Celsius. Lagos estes que são lar de algumas bactérias bastante impressionantes que se alimentam de poluição e expiram electricidade. 

Abdelrhman Mohamed e os seus colegas, da Universidade Estadual de Washington (UAU) capturaram esses microrganismos diretamente da fonte para os estudarem. 

“Esta foi a primeira vez que essas bactérias foram recolhidas na fonte, num ambiente extremo como uma fonte termal alcalina”, disse Mohamed.

O interesse de Mohamed pelas bactérias foi além das atividades académicas. Os micróbios podem ser a chave para resolver os problemas de poluição e da demanda de energia que nos atormentam hoje.

Comendo a poluição

Por quê? Porque motivo estes microrganismos específicos podem literalmente consumir a poluição. Eles fazem isso transformando poluentes tóxicos em substâncias menos nocivas e gerando eletricidade no processo.

“Como essas bactérias passam os seus elétrons para metais ou outras superfícies sólidas, elas podem produzir uma corrente de electricidade que pode ser usada para aplicações de baixa potência”, disse o professor Haluk Beyenal, Paul Hohenschuh.

Recolher esses micróbios não foi tarefa fácil. Mohamed e os seus colegas tiveram que deixar alguns eletrodos na beira da água extremamente quente, esperando que as bactérias saíssem do esconderijo.

Para conseguir isso, Mohamed criou um potenciostato portátil altamente resistente ao calor. Um potenciostato é um dispositivo eletrónico necessário para controlar uma célula de três eletrodos.

Os pesquisadores deixaram então os eletrodos na água durante 32 dias. No final, o esforço provou ser bem sucedido em capturar as bactérias no seu ambiente natural e ideal.

“As condições naturais encontradas nas características geotérmicas, como fontes termais, são difíceis de replicar em ambientes de laboratório”, disse Beyenal. “Então, desenvolvemos uma nova estratégia para enriquecer as bactérias amantes do calor no seu ambiente natural.”

Esta não é a primeira vez que os cientistas usam bactérias para gerar energia. Outras experiências usaram bactérias combinadas com os resíduos dos esgotos para produzir eletricidade, enquanto outras resultaram em micróbios que podem criar anéis repletos de energia.

Será que a chave para resolver as nossas crises de energia e poluição está nestes microrganismos? O tempo o dirá.

A equipe da WSU, em colaboração com colegas da Montana State University, publicou a sua pesquisa no Journal of Power Sources.

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